Quando eu disse…

…que Rosie & Me chegou para sepultar o neofolk nacional, me enganei. Perdão. Eles foram os penúltimos.  ISSO AQUI encerra de vez essa discussão.

R. I. P. Neofolk brasileiro de vocais femininos (??? – 2010)

Zé Marques

Lady Gaga está revolucionando o pop. Mas essa não é a minha revolução pop.*

(*um dia, o Álvaro Garnero dirá isso)

Comecei a escrever esse texto para pôr como comentário no post de Tazo, mas acabou ficando grande demais e acho que agora cabe como uma postagem própria de contraposição à opinião do colega Costeleta. O Costelinha é um blog de opiniões, afinal, de três pessoas com gostos e posições diferentes, mas sobre um tema em comum.

Eu até entendo o que Tazo está tentando falar, só que discordo de 80% do texto. Lady Gaga não pode ser comparada com The Clash, nem com Beatles, nem com Chuck Berry, nem com Michael Jackson. Sim, ela é, provavelmente, a única cantora pop atual que sabe se aproveitar dos elementos da cultura pop, brincar com isso e se promover através disso. Ela entende muito bem a geração do YouTube e sabe como trabalhar a seu favor em cada elemento dos seus clipes e figurinos e das suas declarações. Isso não quer dizer que ela seja uma popstar completa.

Quem gosta de mulher gostosa vai a um show da Shakira.

Os artistas citados antes não mudaram o cenário pop apenas pelo visual, por polêmicas e aproveitamento de referências do mundo pop. Uma banda como o Velvet Underground precisou do Andy Warhol pra se promover, mas não se sustenta como A BANDA até hoje por causa dessa promoção. Antes de tudo, esses nomes citados não desqualificavam a música a favor do aspecto visual, eles usavam o visual para realçar as músicas – o Clash, por exemplo, sempre priorizou o aspecto musical e político da banda, antes do visual; os Beatles pararam de fazer shows quando perceberam que ninguém os escutava nos palcos –, e é nesse aspecto que Gaga peca. Seu som não muda em nada em relação à maioria das cantoras pop atuais. Rihanna consegue transgredir musicalmente mil vezes mais que ela, por exemplo. Metade dos hits de Britney são tão bem feitos para a pista – e, vamos lá, menos enjoados – que qualquer Bad Romance.

Quem gosta de cantora pop vai ouvir alguém com a voz da Beyoncé.

Além da pouca relevância musical, polemizar o tempo todo não choca mais ninguém. Polêmica não é mais exceção no mundo pop, é regra. Em tempos de Twitter, brincar com símbolos da igreja católica é tão transgressor quanto o último clipe do Justin Bieber. Nada que a Madonna não tivesse feito nos anos oitenta, numa época em que essas coisas ainda chamavam atenção. Lady Gaga tem um nível de porralouquisse tão calculado que é quase uma porralouquisse politicamente correta: dizendo que é porra-louca, mas nunca sendo junkie como a Amy Winehouse ou louca como a Britney Spears ou totalmente fora da realidade como o Michael Jackson. Ela se sustenta com essas mini-polêmicas sem prejudicar seu nome a ponto de criar uma rejeição do público. A Christina Aguilera também era assim há tempos atrás. É uma atitude que chama atenção por exatos dois segundos, antes do esquecimento.

Quem gosta de punk rock quer ver ela fazer sexo no palco enquanto injeta heroína. CADÊ QUE ELA NÃO FAZ?

Uma hora o repertório de regurgitações pop da Lady Gaga vai acabar, e, pelo ritmo frenético promovido por ela, isso vai acontecer logo. Tudo é feito de maneira artificial e programada para chamar atenção e antes que as atenções se desviem a próxima referência/polêmica já está acontecendo.  No final, quando tudo isso cansar, Gaga vai ter que arranjar um meio de se manter em pé e sua obra do passado não vai ajudar. Nem beleza vai restar porque bonita ela não é. Onde o texto vê uma Madonna, eu vejo a Cindy Lauper. Ela não está revolucionando cena nenhuma, só está sendo uma cantora de sua própria época.

P. S.: Mas a Cindy Lauper era mais legal.

Zé Marques

Salve-se Quem Puder.

Poucos artistas são completos o suficiente ou se dão ao trabalho de ser no mínimo competentes ao ponto de agradar a todos em pequenos aspectos e enfrentar todo o resto numa figura geral da arte – como forma de expressão. Confuso? Simples, até: se você gosta de punk rock, certamente um artista que desafia o poder é seu tipo de artista. Se você não suporta a igreja, alguém que faz da blasfêmia uma forma de entretenimento é a sua pedida (sem fritas, please!). Se você gosta de música pop, uma loira gostosa dá pro gasto… E assim por diante cada um no seu quadrado.

Ok, sem mais mistérios: LADY GAGA. O nome mais falado, comentado e ouvido por aí. O monstro da musica pop, que derrubou todos os conceitos de POP e transformou no que hoje eu, particularmente, chamo de aperto de mente. Parece piada, mas é super sério. Antes dela, a Madonna, O Michael, O Clash/Pistols, Os Beatles,  O Berry…. Enfim, cada um no seu tempo. Não seria (e não é) nada demais um artista se valer das obras do passado para fazer carreira ou mostrar a que veio. Sendo assim, o que faz de Lady Gaga, ser tão especial? O primeiro parágrafo, oras. Ela é completa.

E aí?!

- Eu broco!

Ela é para você que não suporta a igreja, porquem em Alejandro, ela se veste de freira e engole um terço só de sacanagem, e também, só de sacanagem, ela come um cara. Sabe por que? Porque ela é para você que curte bizarrices. Ainda assim, ela é sensual naquele traje cor de pele minúsculo com aquelas curvas que desviam a atenção do seu corte de cabelo ridículo e da sua cara de drogada. <- Isso,  é o que eu chamo de combo. Ela é a gostosa, a cantora pop, e a drogada numa mesma sentença. Bom pra você que gosta de Placebo, pelas drogas, da Britney por causa daquelas pernas, e da Aguilera pelo cabelo ridículo.Tetéia

Eu vô!

Seja pela musica pop, seja pelo apelo bizarro freakshow, ou pelo corpão, pelos clipes repletos de referências  do cinema (lembra da Pussy Weagon de Kill Bill?), ou até mesmo pela atitude punk rock de quem diz foda-se!. Ela consegue deixar muita gente satisfeita. E até aqueles que não se convencem por nenhum desses motivos, eventualmente, você os verá dizer: “Eu não gosto, mas ela é foda.” Pode apostar. Sabe por quê? Porque é verdade. Lady Gaga é um monstro, a verdadeira personificação da nova era, o anticristo, a solução para os seus problemas na pista de dança, o motivo das suas amigas não acharem bizarro você curtir meninas, a pessoa que vai tirar sua atenção por qualquer motivo. Uma artista completa. Como aqueles citados lá em cima, um marco na história da música, e referência para as gerações futuras. Por isso corra, e trate de achar algo muito mais interessante do que um garoto de 16 anos com uma franja perfeitamente ajustada, porque se não, vai ser Alejandro durante um bom tempo!

Tazzio.

Folk como le gusta.

Bob Dylan.

A Bíblia conta que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes para saciar uma multidão faminta. Proeza interessante, porém diminuta, se comparada à multiplicação de bandinhas neofolk promovida pelos quatro acordes A, D, E e G. A epidemia, obviamente, não vem de agora. Persiste desde os anos 70, mas como a dengue, voltou em um surto no Brasil dos anos 00. Desta vez afetando, sobretudo, as mulheres. Não me perguntem o porquê, mas, hoje em dia, toda menina com uma voz razoável e um violão na mão pensa que é o Bob Dylan.

Não é o Bob Dylan.

Essa síndrome de esquizofrenia adquirida provavelmente começou depois da decadência das bandinhas a la Strokes, se espalhou em progressão geométrica, chegou ao ápice com a Mallu Magalhães e começa a dar seus primeiros sinais de queda. Claro que ver notícias sobre neofolk brasileiro com vocal feminino feito prioritariamente para exportação – vendendo disco em dólar – é prova de que ainda não podemos respirar aliviados. Ou essa seria a última pá de areia na cova do neofolk nacional?

Zé Marques

O bom filho à casa torna.

Lembram do Vampire Weekend? -aqueles do último post. Pois eu não vou falar deles. O motivo da citação é pra deixar vocês bem familiarizados com o clima rock-batuque-africano que abre o novo disco do Foals. No ano passado eu fiz meu primeiro post (eu acho) sobre eles, falei do Antidotes e tudo mais. Este ano, a bola da vez é o recém lançado Total Life Forever; e como eu disse no começo, vem batuque por aí. Blue Blood é perfeita em todos os aspectos e não poderia estar em posição melhor, se não a primeira  faixa do disco.

Mas também vem hip hop, funk, electro, disco e o bom e velho punk. A segunda faixa, Miami, é mais ou menos assim: um hip hop groovadão cheio de funk por trás, mas ao mesmo tempo bem ambient com clima de praia americana. Seguindo essa linha groove, o Foals caminha bem até a melancolia quente de Spanish Sahara – sem dúvida uma música linda e intimista, perfeita para aquecer os dias mais frios do Alaska. Aqui a banda flerta abertamente com o post-rock e finaliza de maneira grandiosa, misturando vocais melancólicos, ambiencias milimetricamente calculadas, a música é o primeiro single do disco por dois motivos: é linda e mostra exatamente o quanto a banda está madura/mudada. Aí vem Fugue, logo depois de This Orient (desoriente), uma peça instrumental cheia de pianos e reverses que separa o disco em duas partes pouco distintas, mas igualmente boas.

O veredicto é um 9,9 – se não fosse pela incomoda sensação de que as guitarras do math-rock foram deixadas de lado. Um disco, sem dúvida lindo, bem feito e original. Total Life Forever é minha aposta para lançamento do ano e não deve faltar em nenhuma prateleira. E eu digo isso, como fã de música, não do Foals.

(…)

Sem mais pagação de pau, deixo aqui minhas pequenas considerações sobre o nosso hiato: foi bom, mas foi longo demais, e nós amamos estar de volta. O Costeletas vai fazer de 2010 um ano INSANO e, adianto, com muitas novidades!

Até o natal, pessoas!

Tazo.

Recapitulando parte I – A Ovulação.

Em janeiro desse ano, o frisson em cima do Vampire Weekend – merecido, por sinal – chegou ao auge, graças ao lançamento do álbum Contra.  Interessante, entretanto, é ver a banda sendo citada em listas relacionadas à modinha vampiresca, num lance meio ‘os vampiros estão em alta, nos cinemas temos as adaptações da série Crepúsculo, nas telinhas os seriados Vampire Diaries e True Blood e na música, o grupo americano com influências africanas Vampire Weekend’. É quase o mesmo que dizer que o Jesus and Mary Chain é uma banda gospel, mas o que vale de verdade é o clima gostoso de citação equivocada.

O que não foi tão falado durante o nosso hiato é que, ano passado, enquanto preparava o Contra, o vocalista Ezra Koenig fez uma participação na faixa Warm Heart of Africa, do disco homônimo banda africana/inglesa The Very Best. Ganhou até clipe. Curta comigo esse gingado legal:

Vale a pena escutar o álbum ou conferir o MySpace da banda.

Zé Marques

“Michael, eles não ligam pra gente!”

Não é bem assim, caro leitor. A gente te curte, te gosta, te quer. Como diria o pequeno Michael:

“I want you back!”

E é por isso que, depois de mais um breve hiato, estamos de volta.

———

Retomando alguns assuntos de setembro do ano passado, descobri que, por mais incrível que pareça, a Terra girou enquanto não postávamos. Alex Chilton morreu, Justin Bieber ganhou seu primeiro pentelhinho e PEGGY SUE DESISTIU DA CARTILHA DO OBSCURO E LANÇOU UM ÁLBUM.

Esse mundo está perdido mesmo.

Confira comigo o tracklist de Phantoms and Other Fossils e um vídeo ao vivo da faixa Yo Mama.

1 – Long Division Blues
2 – Yo Mama
3 – Read It In the Paper
4 – Green Grow the Rushes
5 – Watchman
6 – She Called
7 – Careless Talk
8 – The Remainder
9 – Matilda
10 – February Snow
11 – Fossils
12 – Shape We Made

No MySpace da banda – que ainda guarda resquícios da fase obscura nesse título – dá para assistir também o clipe de Watchman. Mas, vá lá, não vale muito a pena.

Zé Marques

Haih or Amortecedor, Os Mutantes

(Com atraso de um MÊS, segue aqui o que achei do disco d’Os Mutantes)

Quando o Sérgio Dias e Dinho Leme juntaram uma turminha do barulho que mais parece ter saído de Os Mutantes – Caminhos do Coração (a obra-prima da Record, somente superada por Bela, A Feia) e insistiram em continuar com Os Mutantes, mesmo sem Arnaldo Baptista, eu me assustei (e todo o mundo também).

Mutantes DEPOIS (2008)

Mutantes DEPOIS (2008)

Vampiros, corvos, seres da noite – enfim, qualquer coisa que não colou foram esses Mutantes “Depois” de 2008. “Que galera bizarra, que letra piegas essa Mutantes Depois [talvez por isso não tenha sido incluída no disco novo]“, foi o que eu pensei. Mas guardadas as críticas a “Mutantes Depois”, que curiosamente estava na trilha da novela “mutante” da Record citada, em termos de musicalidade ela é melhor que muita coisa hoje lançada.

Segundo Dinho, em entrevista ao Rock Press em 2008, a música era simples perto do resto que eles tinham. Ficou a promessa de coisas boas, contrastando com tudo o que se poderia apontar – a letra nova sobre os fãs como sementes jogadas no chão, o visual bizarro estilo “rockenrou atitude”, do qual Os Mutantes, com certeza, não precisam – e todo o mundo esperou os Mutantes novos com um certo ar de “Não Consumirás!” – XI mandamento cunhado pelo profeta Zé Marques.

Capa do disco, feita por alunos iniciantes do curso de Photoshop.

Capa do disco, feita por alunos iniciantes do curso de Photoshop.

E finalmente o disco novo foi lançado. A primeira impressão é meio bizarra, a começar pela capa (um corvo que parece o Sérgio Dias 2008, meio macabro e com um design trash amador) e pelo nome: “Haih Or Amortecedor”. Com a primeira audição, atacar o álbum me pareceu muito fácil, tanto que foi o que eu fiz.

O início, com a vinheta “Hymns Of The World Pt. I”, é o que diz o nome, hinos religiosos (e meio bizarros) do mundo, e sua parte 2, que fecha o álbum, emula diferentes hinos, principalmente o brasileiro (o resultado, confuso, parece a forma como os brasileiros cantam o hino: totalmente descoordenada. Ironia, talvez?). Enfim, é adequado para abrir um disco dos Mutantes, mas meio previsível e forçado, no tom de “somos todos mutantes” e “esse é um hino para nós”.

Mas não passa de impressão inicial a idéia de que “essa banda devia ser proibida de usar o nome de Mutantes!”. Não nego que é preciso um esforço maior para salvar o álbum por inteiro, e vocês verão isso.

Continuar lendo ‘Haih or Amortecedor, Os Mutantes’

‘If you knew…’

Peggy Sue é o nome de um megahit do Buddy Holly, de meia dúzia de filmes baseados na música e o apelido de trezentos mil emos, pin-ups e travestis – ou de emos pin-ups travestis – na internet. Também é como se intitula um dueto de britânicas anteriormente chamado de Peggy Sue and the Pirates. Você conhece? Não? Claro, porque É DIFÍCIL ACHAR NO GOOGLE. E após a remoção do ‘the Pirates’, fica quase impossível.

peggysueResultado da busca por ‘Peggy Sue’ no Google Imagens.

Ou seja: a dupla seguiu a cartilha do obscuro direitinho e fez ainda melhor: NÃO LANÇOU UM ÁLBUM. Uma porrada de singles, meia dúzias de EPs e… pra que mais?

peggysue2Resultado da busca por ‘Peggy Sue’ no Google Imagens (2).

As garotas ainda prometeram lançar o tal do primeiro disco em abril desse ano, aí bateu outro ‘pra quê?’ e tudo ficou na promessa mesmo. Já disse que, no episódio da troca de nomes, elas apagaram todas as músicas do myspace antigo? Não? Pois é.

peggysueepResultado da busca por ‘Mallu Magalhães arte’ no Google Imagens.

E, por fim, mas não menos importante, o visual das duas não é muito agradável para imaginá-las como um casal de lésbicas gostosinhas. Tudo calculado pra contrariar a geração audiovisual. Então, meu amigo, essas você vai ter que curtir pelo som mesmo.

Novo MySpace da banda

Zé Marques

Borbulhando conteúdo.

Um amigo meu conta que participou da produção de “Epilepsia Erótica”, lendária obra pornográfica gravada aqui em Salvador, nos arredores do Tororó. A história é simples, mas inesquecível: tudo começa quando a protagonista sofre uma convulsão no meio da rua. Ataque epilético? Claro que não! A pobrezinha só estava precisando urgentemente de uma PENETRAÇÃO ANAL. A partir disso, toda uma trama se desenrola, num misto de prazer e muita tremedeira.

Infelizmente, apesar de conceber plots tão geniais, a Britto Produções – responsável também por clássicos como O Primeiro Anal de Bruna – não foi pra frente.  O legado da epilepsia passou, então, a circular por diferentes mídias, algumas não tão agradáveis:


Até o Ronaldo forja uma convulsão melhor que essa.

Outras, todavia, bem  interessantes, como a apresentação da banda Geladeira Metal no programa pernambucano Estereoclipe.  Mais que uma inovação na estética epilética, esse vídeo é dedicado a você que ouve um post-rockzinho de merda e se acha pra frente:

E é nesse clima de choque que estou avisando que toda quarta-feira vou postar aqui. Aliando isso às publicações dos outros costeletas, uma convulsão de posts. Cobrem, liguem para a minha casa, mandem e-mails com correntinhas e cuspam no meu twitter se eu não escrever nada. Só não roguem uma praga que me faça ter ataques epiléticos, valeu?

Zé Marques

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