Arquivo de março \30\UTC 2009

Radiohead em São Paulo

Uma semana depois do maior acontecimento de 2009, o Costelinha traz para você, querido leitor, um relato um tanto quanto pessoal a respeito do que com certeza ficará marcado para sempre na história e que com certeza entrará na retrospectiva da Globo deste ano.

Eram 22h00min em ponto quando os primeiros beats de “15 Step” saíram dos auto-falantes da chácara do jóquei. Pronto. O Radiohead subia ao palco para se consagrar como a maior banda de todos os tempos, indiscutivelmente. Logo após os quase 4:00 minutos de música o que se ouvia além dos gritos eufóricos da multidão paulistana (por assim dizer, já que lá tinha mais gente de fora do que qualquer outra coisa) era o recíproco aplauso vindo dos membros da banda como uma reverência ao público brasileiro.

“Boa noite”, disse Thom Yorke, o gigante minúsculo por trás das maravilhosas músicas da banda, enquanto a equipe de palco preparava os tambores para a música seguinte: “There There” na qual se podia ver sob uma iluminação azul-lilás uma banda mais do que bem ensaiada, como se diz no meio da música, além disso, uma banda perfeitamente entrosada, com mais de vinte anos de palco e muito amor pelo que faz. Sob a luz lilás-azulada via-se um Thom Yorke com os olhos bem abertos – por incrível que pareça – olhando diretamente para frente, entre um Jonny Greenwood encapuzado – um casaco tão lilás quanto às luzes do palco – e um Ed O’Brien feliz por estar no país cuja terceira maior cidade – Salvador – tem o mesmo nome de seu filho. Logo após o primeiro refrão, com guitarra em punhos, o estilo inconfundível de Jonny Greenwood ao tocar trouxe consigo uma luz avermelhada que guiou a platéia em êxtase até o fim da música.

“Band FM, a rádio que São Paulo…. SHHHHHHHHSEEEHHHHHHH booooooooooooingg wooooooooooooshhh… O presidente da república… uusssssssssssshhhhhhhhhhhhhhh”

Pensamos que algo tinha dado errado – uma interferência, talvez? Não, tudo planejado. Como de costume, em “The National Anthem”, nossos meninos ligam um rádio e sintonizam quatro estações locais randomicamente e usam como “efeitos” nas suas músicas. As luzes vermelhas continuavam vermelhas e o que se ouvia era o baixo sintetizado de Colin Greenwood – várias vezes confundido com James Blunt pelo imbecil ao meu lado. Atrás dele vinha a bateria precisa de Phill Selway, que por incrível que pareça, foi esquecido pela imprensa brasileira, não aparecendo em nenhuma foto, filmagem ou relato sobre o show. Juro. Eu seria capaz de escrever um livro sobre ele durante o show e aposto ninguém compraria por não saber de quem se trata…

Falando das luzes, o sistema de iluminação do Radiohead chama atenção por si só, não por ser um show à parte ou por ser composto por gigantescos tubos verticais de luz que mais parecem lâmpadas florescentes, mas por ser uma tecnologia completamente inovadora que consume 30% menos do que qualquer outro tipo de iluminação de eventos. É, meu povo, Radiohead é mais uma daquelas bandas preocupadas com o futuro do mundo e blá-blá-blá.

Seguindo em frente, temos uma série de músicas tocadas ao piano, sendo elas a emocionante “All I Need”, cantada com a mais profunda emoção por Thom Yorke e acompanhada de perto e bem baixinho pela platéia. Não se esquecendo de que estamos no Brasil, é óbvio que algo deveria estragar este momento e nos trazer de volta à realidade; e isso ficou por conta dos nossos queridos vendedores ambulantes que resolviam gritar mais alto do que a banda nas músicas acústicas e tudo que se ouvia era ÁGUA, ÁGUA MINERAL CINCO REEAL, OLHA A ÁGUA. Tudo bem, todos precisam sobreviver. Logo depois veio a primeira surpresa da noite: “Pyramid Song”, do disco mais experimental da banda, “Amnesiac”. Uma coisa é certa: se você gosta dessa música no disco, ao vivo ela é melhor ainda. E se você não gosta, procure por ela ao vivo porque vale muito à pena. Dava pra ver pela expressão da platéia que qualquer coisa poderia acontecer depois daquela música. Digo, se eles tocaram uma das mais experimentais, poderiam muito bem passar o resto do show fazendo experimentalismos loucos e frustrando os que lá estavam por causa de In Rainbows e Ok Computer. Não, eles são loucos, mas não são burros. O que veio a seguir foi o hino radioheadiano, “Karma Police” que levantou isqueiros e vozes numa platéia que havia ficado apática na música anterior.

Obviamente, a esta altura do campeonato, Jonny Greenwood e sua notável aversão ao palco ou ao público, não sei, já tinha removido seu capuz e era todo franja, má postura, e movimentos loucos ao piano – que agora estava no fundo do palco – enquanto seu irmão, Colin, estava um pouco mais solto do que de costume, indo à frente do palco e tudo mais. Ignorando o coro da multidão, que cantava o refrão de “Karma Police” após a música, a banda seguiu com “Nude”, música que deveria ter sido o primeiro hit do In Rainbows. Um dos momentos mais bonitos do show, com certeza. Claro, mais uma vez a música foi atrapalhada pelos vendedores de água (o que pode ser conferido no YouTube) e também pelas palmas descompensadas da platéia que parecia mais eufórica do que atenta ao ritmo da música. Lindo de qualquer forma. E como se estivessem mixadas, uma puxando a outra, “Arpeggi/Weird Fishes” entra logo após Nude e lá fica até a hora que começa The Gloaming, o primeiro momento eletrônico do show.

Quem conhece Radiohead sabe muito bem que o Thom Yorke não resiste às músicas eletrônicas e dança descontroladamente. Haha, ele não é de desapontar seus fãs e dançou muito em The Gloaming, que entra no grupo das músicas que ficam melhores ao vivo. Esta versão com baixo, bateria e um suingue muito legal, foi o ponto alto do show para quem esperava um Radiohead animado em vez da banda “mórbida” que dizem por aí. Em outras palavras: quem não conhecia este lado do Radiohead, com certeza adorou este momento.

Bom, eu não posso me alongar demais, se não vou contar o show todo e isso não é legal.

O que posso dizer além do que já está escrito por aí é que além dos sucessos, do In Rainbows por completo, o que se viu naquele dia foi mais do que um show, mas um espetáculo de cores e sons, com luzes estroboscópicas, danças, e tudo mais. Um show que com certeza ficará na memória de todos e que, se tudo der certo, será apenas o primeiro de muitos que ainda virão por aí. Nós, público de São Paulo tivemos a sorte de ganhar mais um bis do que o povo do Rio. O que foi mágico, já que nós não íamos ver o maior sucesso da banda, “Creep”, que entrou de ultima hora no repertório e que foi o ponto alto da iluminação; todas as vezes que Jonny arranhava sua guitarra, uma explosão de cores colocava a platéia literalmente In Rainbows. Aliás, um repertório muito bom, com muitos sucessos, muitas músicas admiradas pelos verdadeiros fãs e muita emoção. É por motivos pequenos como a escolha da música que vem depois daquela outra música, como os intervalos para a degustação e por fim a cumplicidade da banda com seu público que a passagem do Radiohead pelo Brasil deve ser lembrada hoje e sempre como o melhor show internacional de todos os tempos. E não falo isso como fã, mas como músico, jornalista e ser humano com um pouco de bom senso.



Repertório de São Paulo, tirado do site do Multishow. – notem que duas músicas excelentes ficaram de fora, sabe Deus – Thom – por quê.

Tazo

Não é possível que o blogger tenha apagado o meu post sobre Pete Doherty.

Aliás, é bem possível sim.

UPDATE: Achei o post num Google Reader da vida. Repostado.

Torne sua banda obscura em três passos simples:

- Ponha um nome bastante comum, de modo que a busca no Google fique extremamente difícil. Se esse nome não tiver nada a ver com a banda, um tanto melhor.

- Pra dificultar mais ainda o processo, lance um disco sem título e não ponha o nome dos integrantes ou fotos nítidas no MySpace.

- Não grave videoclipes. Você é obscuro, rapá! Pra que divulgação?

Women – banda canadense com quatro integrantes homens – é assim. O tipo de banda que lança um álbum pelo menos um ano antes de você descobrir que ela existia. Mas como a garotadinha indie gosta do marketing do anti-marketing, o negócio pode até funfar.

Por sinal, o disco é do caralho.

Women – Women (2oo8)

Download

MySpace

Zé Marques

Show de Marcelo Camelo na Concha Acústica de Salvador. 3 de abril. De graça. Brasil, morra de inveja. Salvador sorri assim:

Ok, ninguém vai morrer. Mas que outra cidade tem show cuja entrada é conseguida com dez notas fiscais? Tudo bem, tem uma fila absurda. Tanto para reservar por telefone quanto nos postos de troca. Mas é de graça. Tudo bem que show de Marcelo Camelo geralmente não é tão caro assim. Mesmo que seja gravação de DVD, afinal, pode apostar:

1) O show vai ser super cru. Mais cru que aquele cujas as imagens mal filmadas foram transformadas no Los Hermanos – Registro (que é a maior fraude) é impossível, mas não espere muito.

E é claro que um show cru não justifica pagar mais que 20 reais – preço do último show de Camelo. Ok, ok, vocês podem dizer que é um DVD e certamente haverá uma produção maior e parcerias – eu concordo. Mas, quanto a isso:

2) Não vai ter beijo entre Malu Magalhães e Camelo. Ainda bem, isso seria assustador, o momento bizarro do show: bicho papão barbudo e a menininha.

3) “A Malu parece os Racionais em vários aspectos”, diz Marcelo Camelo. Talvez eles façam uma versão rap de Janta. E transformem Janta em uma canção de protesto, como todas (?) as de Mallu. E talvez lá nos bastidores eles compartilhem o ácido que usam. Então o show seria “um barato”, não é? Quer dizer, ainda mais.

4) Será que ele retribui o convite e chama a Sandy ou o Nove Mil Anjos para tocar? (Para quem não se lembra, Marcelo fez participação no Acústico MTV Sandy & Junior)

Enfim, piadas toscas à parte, vai ser um Deus nos acuda essa troca de ingressos. Outra certeza é de que o show vai ser bom, tanto da parte técnica quanto de empolgação dos músicos – não esqueçamos que Hurtmold, a banda que acompanha Camelo, é bom à beça.

Orquestra Imperial em Salvador, Bahia

Orquestra Imperial é uma das bandas mais divertidas que apareceram na música brasileira dos últimos anos. Composta só de gente boa (e bons músicos) – Rodrigo Amarante, Thalma de Freitas, Nina Becker, Kassin, Domenico, Rubinho Jacobina e por aí vai – e com ar de outros (velhos) carnavais, a banda tem um CD lançado em 2007 – Carnaval Só Ano Que Vem – que, como diria Marcelo Camelo (que invejou a Orquestra em Copacabana, de Sou), é “um barato”.

Mas “barato” de verdade é o show deles. Não há o que dizer de mal. As canções do disco crescem, ganham corpo e enchem o ambiente – nesse caso, a Concha Acústica de Salvador, Bahia, que recebeu ontem, pela primeira vez e de graça, a Orquestra Imperial.

Foi um show para sair de alma lavada. Com direito a dancinhas toscas e pirações do Amarante e Thalma “Dona Helena” rastejando no chão e se entregando à música. Sabe a sensação de comunhão de um show de Los Hermanos? Agora cale os fãs chatos que querem gritar mais alto que as caixas de som e ponha mais samba (antigo e novo) e suíngue na fórmula. Eleve a alegria que os integrantes da banda sentem em tocar a algumas potências a mais, ponha samba no pé e traje de sambista no Amarante e em outros, como o Rubinho, e pronto, temos a Orquestra Imperial em cena.

Curiosos foram os instrumentais de Stairway to Heaven, do Led Zeppelin (que iniciou o show), e de Iron Man, do Black Sabbath, inseridos no show. Orquestra é, também, roquenrou! – o que comprova minha explicação de um show deles.

***

- Download CD Carnaval Só Ano Que Vem
- Download EP Orquestra Imperial
(links extraídos da comunidade Discografias, do Orkut)


Seguindo a tendência, o Yeah Yeah Yeahs lançou um disco abusando de sintetizadores. Sim, eles já usavam bastante antes, mas dessa vez foram fundo na coisa. É modinha no mundo do rock dançante: abandonar o rock do rótulo e partir para a era disco (como eu já disse, essa década pretende ser um remake das cinco décadas anteriores. É capaz de estarmos vivendo na Matrix e ninguém se tocou ainda).

O resultado geral de It’s Blitz é bonitinho, pop, sem os exageros vocais e a sujeira do primeiro trabalho e sem o rock mais sóbrio do segundo. A primeira música é um hit que te chama atenção na primeira audição. Confiram aqui.

Pelo menos um mérito o Yeah Yeah Yeahs já pode se gabar de ter: fez três discos de sonoridades diferentes, nenhum excepcional, mas que passam longe de ser ruins. Ano que vem eles lançam um álbum gospel.

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Yeah Yeah Yeah – It’s Blitz! – Download

COSTELINHA INFORMA

O mundo da cultura pop não parou! A gente é que tá ficando preguiçoso. De fato, o início das aulas, a volta à vida social ativa e todos os outros fatores que contribuem para a não atualização deste blog são muito relevantes, porém, o fato é que:

NADA DE INTERESSANTE TEM ACONTECIDO.

Exceto o oscar (boriiiing)

Portanto, colegas, não desanimem… Breve teremos alguma novidade (espera-se).


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