Arquivo de maio \25\UTC 2010

Folk como le gusta.

Bob Dylan.

A Bíblia conta que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes para saciar uma multidão faminta. Proeza interessante, porém diminuta, se comparada à multiplicação de bandinhas neofolk promovida pelos quatro acordes A, D, E e G. A epidemia, obviamente, não vem de agora. Persiste desde os anos 70, mas como a dengue, voltou em um surto no Brasil dos anos 00. Desta vez afetando, sobretudo, as mulheres. Não me perguntem o porquê, mas, hoje em dia, toda menina com uma voz razoável e um violão na mão pensa que é o Bob Dylan.

Não é o Bob Dylan.

Essa síndrome de esquizofrenia adquirida provavelmente começou depois da decadência das bandinhas a la Strokes, se espalhou em progressão geométrica, chegou ao ápice com a Mallu Magalhães e começa a dar seus primeiros sinais de queda. Claro que ver notícias sobre neofolk brasileiro com vocal feminino feito prioritariamente para exportação – vendendo disco em dólar – é prova de que ainda não podemos respirar aliviados. Ou essa seria a última pá de areia na cova do neofolk nacional?

Zé Marques

O bom filho à casa torna.

Lembram do Vampire Weekend? -aqueles do último post. Pois eu não vou falar deles. O motivo da citação é pra deixar vocês bem familiarizados com o clima rock-batuque-africano que abre o novo disco do Foals. No ano passado eu fiz meu primeiro post (eu acho) sobre eles, falei do Antidotes e tudo mais. Este ano, a bola da vez é o recém lançado Total Life Forever; e como eu disse no começo, vem batuque por aí. Blue Blood é perfeita em todos os aspectos e não poderia estar em posição melhor, se não a primeira  faixa do disco.

Mas também vem hip hop, funk, electro, disco e o bom e velho punk. A segunda faixa, Miami, é mais ou menos assim: um hip hop groovadão cheio de funk por trás, mas ao mesmo tempo bem ambient com clima de praia americana. Seguindo essa linha groove, o Foals caminha bem até a melancolia quente de Spanish Sahara – sem dúvida uma música linda e intimista, perfeita para aquecer os dias mais frios do Alaska. Aqui a banda flerta abertamente com o post-rock e finaliza de maneira grandiosa, misturando vocais melancólicos, ambiencias milimetricamente calculadas, a música é o primeiro single do disco por dois motivos: é linda e mostra exatamente o quanto a banda está madura/mudada. Aí vem Fugue, logo depois de This Orient (desoriente), uma peça instrumental cheia de pianos e reverses que separa o disco em duas partes pouco distintas, mas igualmente boas.

O veredicto é um 9,9 – se não fosse pela incomoda sensação de que as guitarras do math-rock foram deixadas de lado. Um disco, sem dúvida lindo, bem feito e original. Total Life Forever é minha aposta para lançamento do ano e não deve faltar em nenhuma prateleira. E eu digo isso, como fã de música, não do Foals.

(…)

Sem mais pagação de pau, deixo aqui minhas pequenas considerações sobre o nosso hiato: foi bom, mas foi longo demais, e nós amamos estar de volta. O Costeletas vai fazer de 2010 um ano INSANO e, adianto, com muitas novidades!

Até o natal, pessoas!

Tazo.

Recapitulando parte I – A Ovulação.

Em janeiro desse ano, o frisson em cima do Vampire Weekend – merecido, por sinal – chegou ao auge, graças ao lançamento do álbum Contra.  Interessante, entretanto, é ver a banda sendo citada em listas relacionadas à modinha vampiresca, num lance meio ‘os vampiros estão em alta, nos cinemas temos as adaptações da série Crepúsculo, nas telinhas os seriados Vampire Diaries e True Blood e na música, o grupo americano com influências africanas Vampire Weekend’. É quase o mesmo que dizer que o Jesus and Mary Chain é uma banda gospel, mas o que vale de verdade é o clima gostoso de citação equivocada.

O que não foi tão falado durante o nosso hiato é que, ano passado, enquanto preparava o Contra, o vocalista Ezra Koenig fez uma participação na faixa Warm Heart of Africa, do disco homônimo banda africana/inglesa The Very Best. Ganhou até clipe. Curta comigo esse gingado legal:

Vale a pena escutar o álbum ou conferir o MySpace da banda.

Zé Marques

“Michael, eles não ligam pra gente!”

Não é bem assim, caro leitor. A gente te curte, te gosta, te quer. Como diria o pequeno Michael:

“I want you back!”

E é por isso que, depois de mais um breve hiato, estamos de volta.

———

Retomando alguns assuntos de setembro do ano passado, descobri que, por mais incrível que pareça, a Terra girou enquanto não postávamos. Alex Chilton morreu, Justin Bieber ganhou seu primeiro pentelhinho e PEGGY SUE DESISTIU DA CARTILHA DO OBSCURO E LANÇOU UM ÁLBUM.

Esse mundo está perdido mesmo.

Confira comigo o tracklist de Phantoms and Other Fossils e um vídeo ao vivo da faixa Yo Mama.

1 – Long Division Blues
2 – Yo Mama
3 – Read It In the Paper
4 – Green Grow the Rushes
5 – Watchman
6 – She Called
7 – Careless Talk
8 – The Remainder
9 – Matilda
10 – February Snow
11 – Fossils
12 – Shape We Made

No MySpace da banda – que ainda guarda resquícios da fase obscura nesse título – dá para assistir também o clipe de Watchman. Mas, vá lá, não vale muito a pena.

Zé Marques


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