Folk como le gusta.

Bob Dylan.

A Bíblia conta que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes para saciar uma multidão faminta. Proeza interessante, porém diminuta, se comparada à multiplicação de bandinhas neofolk promovida pelos quatro acordes A, D, E e G. A epidemia, obviamente, não vem de agora. Persiste desde os anos 70, mas como a dengue, voltou em um surto no Brasil dos anos 00. Desta vez afetando, sobretudo, as mulheres. Não me perguntem o porquê, mas, hoje em dia, toda menina com uma voz razoável e um violão na mão pensa que é o Bob Dylan.

Não é o Bob Dylan.

Essa síndrome de esquizofrenia adquirida provavelmente começou depois da decadência das bandinhas a la Strokes, se espalhou em progressão geométrica, chegou ao ápice com a Mallu Magalhães e começa a dar seus primeiros sinais de queda. Claro que ver notícias sobre neofolk brasileiro com vocal feminino feito prioritariamente para exportação – vendendo disco em dólar – é prova de que ainda não podemos respirar aliviados. Ou essa seria a última pá de areia na cova do neofolk nacional?

Zé Marques

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