Arquivo de junho \29\UTC 2010

Quando eu disse…

…que Rosie & Me chegou para sepultar o neofolk nacional, me enganei. Perdão. Eles foram os penúltimos.  ISSO AQUI encerra de vez essa discussão.

R. I. P. Neofolk brasileiro de vocais femininos (??? – 2010)

Zé Marques

Lady Gaga está revolucionando o pop. Mas essa não é a minha revolução pop.*

(*um dia, o Álvaro Garnero dirá isso)

Comecei a escrever esse texto para pôr como comentário no post de Tazo, mas acabou ficando grande demais e acho que agora cabe como uma postagem própria de contraposição à opinião do colega Costeleta. O Costelinha é um blog de opiniões, afinal, de três pessoas com gostos e posições diferentes, mas sobre um tema em comum.

Eu até entendo o que Tazo está tentando falar, só que discordo de 80% do texto. Lady Gaga não pode ser comparada com The Clash, nem com Beatles, nem com Chuck Berry, nem com Michael Jackson. Sim, ela é, provavelmente, a única cantora pop atual que sabe se aproveitar dos elementos da cultura pop, brincar com isso e se promover através disso. Ela entende muito bem a geração do YouTube e sabe como trabalhar a seu favor em cada elemento dos seus clipes e figurinos e das suas declarações. Isso não quer dizer que ela seja uma popstar completa.

Quem gosta de mulher gostosa vai a um show da Shakira.

Os artistas citados antes não mudaram o cenário pop apenas pelo visual, por polêmicas e aproveitamento de referências do mundo pop. Uma banda como o Velvet Underground precisou do Andy Warhol pra se promover, mas não se sustenta como A BANDA até hoje por causa dessa promoção. Antes de tudo, esses nomes citados não desqualificavam a música a favor do aspecto visual, eles usavam o visual para realçar as músicas – o Clash, por exemplo, sempre priorizou o aspecto musical e político da banda, antes do visual; os Beatles pararam de fazer shows quando perceberam que ninguém os escutava nos palcos –, e é nesse aspecto que Gaga peca. Seu som não muda em nada em relação à maioria das cantoras pop atuais. Rihanna consegue transgredir musicalmente mil vezes mais que ela, por exemplo. Metade dos hits de Britney são tão bem feitos para a pista – e, vamos lá, menos enjoados – que qualquer Bad Romance.

Quem gosta de cantora pop vai ouvir alguém com a voz da Beyoncé.

Além da pouca relevância musical, polemizar o tempo todo não choca mais ninguém. Polêmica não é mais exceção no mundo pop, é regra. Em tempos de Twitter, brincar com símbolos da igreja católica é tão transgressor quanto o último clipe do Justin Bieber. Nada que a Madonna não tivesse feito nos anos oitenta, numa época em que essas coisas ainda chamavam atenção. Lady Gaga tem um nível de porralouquisse tão calculado que é quase uma porralouquisse politicamente correta: dizendo que é porra-louca, mas nunca sendo junkie como a Amy Winehouse ou louca como a Britney Spears ou totalmente fora da realidade como o Michael Jackson. Ela se sustenta com essas mini-polêmicas sem prejudicar seu nome a ponto de criar uma rejeição do público. A Christina Aguilera também era assim há tempos atrás. É uma atitude que chama atenção por exatos dois segundos, antes do esquecimento.

Quem gosta de punk rock quer ver ela fazer sexo no palco enquanto injeta heroína. CADÊ QUE ELA NÃO FAZ?

Uma hora o repertório de regurgitações pop da Lady Gaga vai acabar, e, pelo ritmo frenético promovido por ela, isso vai acontecer logo. Tudo é feito de maneira artificial e programada para chamar atenção e antes que as atenções se desviem a próxima referência/polêmica já está acontecendo.  No final, quando tudo isso cansar, Gaga vai ter que arranjar um meio de se manter em pé e sua obra do passado não vai ajudar. Nem beleza vai restar porque bonita ela não é. Onde o texto vê uma Madonna, eu vejo a Cindy Lauper. Ela não está revolucionando cena nenhuma, só está sendo uma cantora de sua própria época.

P. S.: Mas a Cindy Lauper era mais legal.

Zé Marques

Salve-se Quem Puder.

Poucos artistas são completos o suficiente ou se dão ao trabalho de ser no mínimo competentes ao ponto de agradar a todos em pequenos aspectos e enfrentar todo o resto numa figura geral da arte – como forma de expressão. Confuso? Simples, até: se você gosta de punk rock, certamente um artista que desafia o poder é seu tipo de artista. Se você não suporta a igreja, alguém que faz da blasfêmia uma forma de entretenimento é a sua pedida (sem fritas, please!). Se você gosta de música pop, uma loira gostosa dá pro gasto… E assim por diante cada um no seu quadrado.

Ok, sem mais mistérios: LADY GAGA. O nome mais falado, comentado e ouvido por aí. O monstro da musica pop, que derrubou todos os conceitos de POP e transformou no que hoje eu, particularmente, chamo de aperto de mente. Parece piada, mas é super sério. Antes dela, a Madonna, O Michael, O Clash/Pistols, Os Beatles,  O Berry…. Enfim, cada um no seu tempo. Não seria (e não é) nada demais um artista se valer das obras do passado para fazer carreira ou mostrar a que veio. Sendo assim, o que faz de Lady Gaga, ser tão especial? O primeiro parágrafo, oras. Ela é completa.

E aí?!

- Eu broco!

Ela é para você que não suporta a igreja, porquem em Alejandro, ela se veste de freira e engole um terço só de sacanagem, e também, só de sacanagem, ela come um cara. Sabe por que? Porque ela é para você que curte bizarrices. Ainda assim, ela é sensual naquele traje cor de pele minúsculo com aquelas curvas que desviam a atenção do seu corte de cabelo ridículo e da sua cara de drogada. <- Isso,  é o que eu chamo de combo. Ela é a gostosa, a cantora pop, e a drogada numa mesma sentença. Bom pra você que gosta de Placebo, pelas drogas, da Britney por causa daquelas pernas, e da Aguilera pelo cabelo ridículo.Tetéia

Eu vô!

Seja pela musica pop, seja pelo apelo bizarro freakshow, ou pelo corpão, pelos clipes repletos de referências  do cinema (lembra da Pussy Weagon de Kill Bill?), ou até mesmo pela atitude punk rock de quem diz foda-se!. Ela consegue deixar muita gente satisfeita. E até aqueles que não se convencem por nenhum desses motivos, eventualmente, você os verá dizer: “Eu não gosto, mas ela é foda.” Pode apostar. Sabe por quê? Porque é verdade. Lady Gaga é um monstro, a verdadeira personificação da nova era, o anticristo, a solução para os seus problemas na pista de dança, o motivo das suas amigas não acharem bizarro você curtir meninas, a pessoa que vai tirar sua atenção por qualquer motivo. Uma artista completa. Como aqueles citados lá em cima, um marco na história da música, e referência para as gerações futuras. Por isso corra, e trate de achar algo muito mais interessante do que um garoto de 16 anos com uma franja perfeitamente ajustada, porque se não, vai ser Alejandro durante um bom tempo!

Tazzio.


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